FELIPE PEZZONI E A REINVENÇÃO DA BANDA EVA: “Sofri julgamentos, mas foi desafiador”

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Felipe Pezzoni, vocalista da Banda EVA, em entrevista para a revista QUEM, onde será capa neste mês, falando de sua carreira

“As pessoas falavam: esse cara não é bom, não vai dá conta do trabalho…”. 


No comando da Banda Eva há cinco anos, Felipe Pezzoni é o oposto do que podemos intitular “celebridade”. Humilde, o baiano de 33 anos sorri de maneira tímida quando questionado sobre o título recebido desde que assumiu o vocal do grupo em 2013.  “A grande sacada é justamente compreender que eu não sou o Eva, e sim estou representado uma marca. Na banda, temos a preocupação em manter esse padrão de qualidade em tudo o que a gente faz.”

Padrão que rendeu bons frutos ao longo dos 40 anos de história da banda no cenário da música baiana. Nomes como Daniela Mercury, Durval Lelys, Ivete Sangalo e Saulo já ocuparam a posição de vocal, e acabaram seguindo por carreiras astronômicas. Mas para Felipe, o Eva sempre foi mais uma referência musical do que objetivo de vida:  “Meu sonho profissional era que minha música chegasse ao grande público. Nunca imaginei que assumiria o comando da banda, e posso dizer que faço meu melhor para a gente sempre se reinventar”.

Como nem tudo é um mar de flores, o cantor passou por poucas e boas antes de firmar contrato com a empresa. “Eu não tinha dinheiro para por gasolina no carro durante as reuniões com os empresários. Ser músico no Brasil é um trabalho árduo e o sistema acaba priorizando outros tipos de profissão” – sorte a nossa que ele não desistiu.

Atualmente o Eva é composto por oito integrantes, e o ritmo de shows e ensaios é de cair o queixo. “Fizemos cerca de 138 shows em 2017. Cada vez mais a gente procura fazer coisas novas. No meu primeiro ano como vocalista do Eva sofri julgamentos, mas já subimos no palco sabendo que era uma Eva diferente – nem melhor, nem pior, mas diferente”.

Uma das atrações do Camarote QUEM / O Globo na Sapucaí, Felipe considera o Carnaval como o divisor de águas do Eva: “É a época mais importante para nós. Um mês antes dele chegar eu já começo a ficar tenso, ansioso. É como se o ano para nós começasse depois dessa data”.

 

EVA: O PRIMEIRO CONTATO

“Por sermos uma banda autoral, a gente não tinha muita estrutura.Voltei a morar na casa dos meus pais, fiz muitas dívidas e meu carro ficou sem documentação. Na época existia o Roda Baiana, programa de rádio que acontecia em botequim com música ao vivo. Tocamos por quase três semanas lá, mas foi um fiasco – a gente não sabia que o programa estava de recesso e haviam mais garçons do que realmente público (risos). Em um desses dias o Ricardo Martins (sócio da Banda Eva) foi lá almoçar e se deparou com nossa banda. Demos um CD para ele, todos empolgados. E não é que o cara entrou em contato conosco?”

REUNIÕES INTERMINÁVEIS

“Eu não sabia, mas eles já estavam arquitetando minha entrada como vocalista, já que o Saulo tinha anunciado sua saída. No começo achávamos que a Mil Verõesseria um dos produtos da empresa, e não que eu acabaria no Eva. Eu e meu sócio, Marcelinho Oliveira, estávamos quase desistindo quando chamaram a gente para uma reunião final. Meu carro, atrasado há dois anos, tinha sido pego em uma blitz.  Foi quando o Marcelinho me liga: ‘Felipe, você tem dinheiro aí? Porque a gasolina que tenho aqui dá pra ir pra reunião, mas não dá pra voltar’. Eu não tinha dinheiro para por gasolina no carro durante as reuniões com os empresários! Sem um centavo, falei: ‘A gente dá um jeito’. Fomos! Justo nesse dia a proposta oficial para eu assumir o vocal do Eva aconteceu. Aceitei a proposta e o Marcelinho foi comigo como produtor musical.”

IDENTIDADE MUSICAL

“Meu sonho profissional era que minha música chegasse ao grande público. Nunca imaginei que o portal para isso seria o Eva. Demorou para cair a ficha, até porque a banda já tinha um vocalista, e você nunca imagina que essa pessoa vai sair. Eu era muito fã, mas o Eva sempre foi uma referência, nunca o objetivo. E foi uma bênção. Por todo o histórico desses antecessores, me sinto muito honrado e feliz em dar continuidade a um trabalho tão bacana que herdei dessa galera.”

REINVENÇÃO

“Meu primeiro ano na banda foi o mais difícil. Sofri, mas foi desafiador ao mesmo tempo — já subimos no palco sabendo que era uma Eva com Felipe Pezzoni e era diferente – nem melhor, nem pior, mas diferente. Eu me preparei para receber uma enxurrada de críticas e comentários, mas até que não foi tudo isso não, viu? As pessoas que mais sofreram eram aquelas que tinham medo do novo. Elas falavam: “esse cara não é bom. Não vai dar conta do trabalho”. Mas eles não me conheciam, era puro julgamento. Críticas são bem vindas, o julgamento é a pior coisa. Até porque renovamos muito logo no início. O axé não estava num momento muito favorável – foi a época do “boom” do sertanejo. De maneira geral, o cenário todo precisava de uma mudada. Uma renovação não só dos artistas mas da própria musicalidade. Não adiantava eu tentar fazer a mesma música que Ivete fazia há dez anos, com o mesmo arranjo. O público era outro!”

RITMO FRENÉTICO

“Fizemos cerca de 138 shows em 2017.  Nós da banda ficamos muito juntos na estrada, então quando estamos em Salvador a gente mal se vê (risos). O Carnaval deste ano foi um dos mais especiais da minha carreira. Começamos a colher frutos deste trabalho que fazemos há uns cinco anos. É um trabalho de formiguinha, né? Um mês antes do Carnaval chegar eu já começo a ficar ansioso. É como se o ano só começasse direito depois dessa data. Neste 2018 passamos por cinco cidades: Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte. Eu treino minha resistência e vocal nos shows que antecedem a folia e são muitos. Mas não adianta, a emoção é a mesma sempre que eu subo no trio elétrico, como se fosse a primeira vez.”

FICHA TÉCNICA

BANDA EVA: Felipe Pezzoni (voz), Marcelinho Oliveira (teclado e violão), Jorginho Sancof (guitarra), Cuca (percussão), Hugo Alves (percussão), Eric Aguiar (metais), Cristiano Ferreira (baixo) e Esso Brumom (bateria).

Fonte: revistaquem.globo.com